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Review Dystopcon: Uma proposta diferentona

Uma proposta criativa e reflexiva, mas com um ritmo lento que pode dividir opiniões.


Tivemos a oportunidade de jogar Dystopicon, e digo que logo de cara foi a coisa mais diferente que joguei em muito tempo, com uma proposta muito diferente da maioria dos jogos que costumo jogar, mas com a mente aberta me permiti experimentar esse game. Em vez de apostar em ação, exploração ou progressão constante, o jogo constrói sua experiência a partir da rotina, do gerenciamento e da sensação de viver em uma sociedade completamente controlada. É uma ideia interessante e que desperta curiosidade, mas também exige que o jogador entre no ritmo que os desenvolvedores propõem.


Dystopicon é desenvolvido pela Apollyon 64, um pequeno estúdio independente que aposta em experiências narrativas e conceituais. O jogo abraça uma proposta bastante específica, utilizando mecânicas simples para discutir temas como automação, alienação, consumo e controle social.

Uma premissa curiosa, e um tanto desconfortável


A ideia central de Dystopicon é, sem dúvida, seu maior diferencial. Em um futuro onde os robôs substituíram completamente os humanos no mercado de trabalho, sua principal forma de ganhar dinheiro é algo absurdamente simples: assistir televisão. A partir dessa premissa, o jogo constrói uma rotina de sobrevivência baseada em administrar tempo, recursos e pequenas decisões do dia a dia. É uma proposta que funciona muito mais como uma crítica social do que como um simulador tradicional, e justamente por isso consegue despertar curiosidade, mesmo quando suas mecânicas não são particularmente complexas


Jogabilidade


A jogabilidade de Dystopicon gira em torno da rotina. Você passa boa parte do tempo administrando dinheiro, cuidando das necessidades básicas e repetindo tarefas que fazem parte da sobrevivência naquele mundo distópico. Isso faz sentido dentro da proposta do jogo, mas também pode dividir opiniões. Para algumas pessoas, essa repetição pode ajudar a reforçar a sensação de alienação e controle que a narrativa quer transmitir. No meu caso, depois de um tempo, senti que a experiência começou a perder um pouco do impacto inicial. 


Muito mais que um simulador!


O que mais me chamou a atenção em Dystopicon foi a forma como ele usa suas mecânicas para fazer uma crítica social. A ideia de viver em um mundo onde os humanos foram substituídos por máquinas e precisam encontrar maneiras absurdas de sobreviver é, ao mesmo tempo, curiosa e desconfortável. O jogo toca em temas como automação, consumo e controle da população de uma forma simples, mas eficiente. Mesmo não sendo uma experiência que me conquistou, reconheço que a proposta tem personalidade e consegue passar sua mensagem sem depender de longos diálogos ou explicações excessivas


Considerações finais


Dystopicon é um daqueles jogos que certamente não foram feitos para agradar todo mundo, e isso não é necessariamente um problema. Sua proposta é bem definida e utiliza a rotina, a repetição e o desconforto como parte da experiência, construindo uma crítica social interessante sobre automação, consumo e controle. Mesmo entendendo a mensagem que o jogo quer transmitir, confesso que a experiência não conseguiu me prender por muito tempo, principalmente por causa do ritmo e da repetitividade das atividades.

Ainda assim, seria injusto dizer que Dystopicon é um jogo ruim. Pelo contrário, ele tem personalidade, uma identidade muito clara e uma proposta que pode agradar bastante quem gosta de experiências narrativas, simuladores mais contemplativos e jogos que provocam reflexão. No meu caso, simplesmente não foi um jogo que conversou com o meu gosto pessoal, mas reconheço o mérito da ideia e da forma como ela é apresentada.


⭐ Nota: 6/10

✔ Criativo e diferente

✔ Boa ambientação

✔ Tradução para PT-BR muito bem feita 

❌ Repetitivo

❌ Pouca variedade


Disponível apenas para PC, Dystopcom já está disponível na Steam.


Bacharel em Comunicação Social e Psicologia, apaixonado por games, terror e boas histórias. Autoproclamado fã número 1 de Dragon Quest do meu bairro, especialista em começar RPGs de 100 horas, ainda tentando convencer as pessoas de que Efeito Borboleta é o melhor filme do século.


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