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Crítica: Marvel's Luke Cage - 1ª Temporada

A Marvel junto da Netflix trouxeram uma grande supresa em sua mais nova série, Luke Cage é o herói que precisávamos ver neste universo.

Já parou para pensar como é difícil trazer para nossa realidade a origem do primeiro herói negro a conseguir uma revista em quadrinhos solo? Já pensou como é difícil retratar toda a época de luta pela igualdade dos anos 70 em nosso mundo atual? Pois então, a Marvel em parceria com a Netflix conseguiu trazer toda a essência de Luke Cage em sua mais nova série.


Em um universo mais sombrio e realista, estabelecido pelas séries Demolidor e Jessica Jones, Luke Cage consegue trazer algo novo, onde caminha entre a realidade dos seus antecessores e um toque fantástico do já estabelecido UCM (Universo Cinematográfico Marvel). Assim, é mais nítido visualizar que o universo das séries da Netflix pode coexistir junto com os filmes da Disney.

A série conta a origem de Luke Cage (Mike Colter), deixando de lado todos os traços caricatos estabelecidos nos anos 70, mostrando como o “Herói de Aluguel” é encontrado nos dias de hoje, abordando todo o conceito sociocultural de sua HQ. Todos os personagens são apresentados de maneiras mais realistas, mas mantendo a essência e suas características dos quadrinhos, tais como: Cottonmouth (Mahershala Ali), Shades (Theo Rossi), Mariah Dillard (Alfre Woodard), Misty Knight (Simone Missick), Diamondback (Erik LaRay Harvey), entre outros. Sendo que todos possuem um arco narrativo, com importância na trama e suas motivações apresentadas.
Posteres do Personagens: Luke Cage (Mike Colter), Cottonmouth (Mahershala Ali), Shades (Theo Rossi), Mariah Dillard (Alfre Woodard), Misty Knight (Simone Missick) e Diamondback (Erik LaRay Harvey).
Todo o contexto da série é melhor construído com dois fatores de muita importância para a narrativa: primeiro o hip-hop, que deixa uma linha que conduz a trama e dão ritmo as cenas de ação da série, lembrando ao que Quentin Tarantino fez em Django Livre. O Segundo fator, é um personagem de extrema importância, o Harlem, bairro que se passa a história, dita todo o tom da produção, nele encontramos toda a cultura e linguajares, mantendo a essência dos quadrinhos e uma grande inspiração do Blaxploitation (movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 1970, onde os atores e diretores eram negros e possuíam papeis de destaque, tirando a imagem que negros era para papéis secundários).

Enquanto Jéssica Jones traz uma crítica ao abuso a mulheres, demonstrado através da relação de medo, dependência e violência, em Luke Cage podemos notar que a cultura negra é um forte elemento dentro da série, afinal o que é mais assustador para um Branco do que um Negro a prova de balas? Dentro dos episódios é abordado o cotidiano exibido em noticiários norte-americanos, brutalidade policial e discriminação social. Além de mostrar como o sistema é corrupto e falho, exibindo que as pessoas ricas também comentem crimes.

Outro fator que engrandece a produção é o trabalho com a fotografia da série, trazendo tons de amarelo a maior parte do tempo, dando a sensação que não é preciso um herói se esconder nas sombras, que ele deve ser a luz para a população do bairro. Trabalho de cores que está sendo marca registrada da Netflix/Marvel, Demolidor possui tons de vermelho e pretos mais acentuados, deixando representada a violência, podridão e escuridão de Hell’s Kitchen, e Jessica Jones possui as colorações de roxo mais visíveis, devido a brincadeira com o nome do vilão nos quadrinhos, Homem-Púrpura.

Cenas que representam a fotografia de cada série: Demolidor com os tons de vermelho, Jessica Jones com os tons de roxo e Luke Cage com os tons de amarelo em suas cenas.
Para os fãs de quadrinhos, é fascinante acompanhar os episódios, são recheados de fan-services, tais como: a aparição do primeiro traje utilizado pelo herói, as acunhas já utilizadas nos quadrinhos - Power Man (Poderoso) e Hero for Hire (Herói de Aluguel) -, o traje vermelho da Misty Knight e também uma sutil referência ao Punho de Ferro no último episódio.

Luke Cage é uma grande surpresa, mas claro que possui falhas como toda série, o ritmo dos primeiros episódios é um pouco arrastado, o que pode desagradar alguns espectadores, devido ao fato de estarmos conhecendo esse novo bairro de Nova York, aprendendo como funciona a dinâmica do Harlem e quem serão os personagens que iremos “conviver”. Mas, o grande mérito está em conseguirem trazer um fôlego novo para uma fórmula que poderia ser saturada cedo, equilibrando drama e realismo com pitadas de humor e, claro, mostrando que até mesmo o herói tido como invulnerável tem suas fraquezas.
Willian Chicanoski é nascido na Rússia Brasileira, Programador de Sistema por formação, Nerd por paixão. Cinéfilo, fã do Aquaman, Desbravador da Terra Média, viajante de uma galáxia muito, muito distante, aquele que chegou ao topo da Torre Negra, tem o dom de falar coisas aleatórias, desastrado, viciado em café e barbudo.
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