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Battle Tendency: o segundo e surpreendente arco de JoJo's Bizarre Adventure

Segunda Guerra Mundial, homens dos pilares, viagens exóticas, e uma mística pedra vermelha são os ingredientes deste novo arco.

Depois de termos visto como a série JoJo’s Bizarre Adventure começou, com o seu primeiríssimo arco Phantom Blood, chegou a hora de vermos a continuação dessa história irreverente e esquisita que conquistou tantos fãs. Com novas ideias para deixar seu enredo e personagens ainda melhores, a produção de Hirohiko Araki seguiu com o segundo arco da saga: o Battle Tendency.



Um novo JoJo e novos inimigos

Aqui a história se passa em 1938, e é protagonizada pelo neto de Jonathan, o Joseph Joestar, que após a migração de Erina e seu filho para a América, a família Joestar resolve seguir seus negócios nos Estados Unidos. Joseph, apesar de nunca ter chegado a conhecer seus pais, teve uma boa criação por parte de sua avó, mas viveu a maior parte de sua infância com os marginais de ruas e isso cooperou para que ele desde cedo dominasse a arte da lábia e da malandragem (embora tenha mantido o seu bom caráter). Além disso Joseph nasceu já com os poderes de Hamon desenvolvidos, quase que como uma herança genética de seu avô.
Joseph Joestar (ou segundo JoJo) é gente fina, mas é bom não abusar da sorte com ele.
Devido aos problemas mostrados com relação à estranha máscara do arco anterior, algumas organizações mundiais decidiram buscar a origem de tudo isso, e acabaram descobrindo enormes paredes de pedra não só com várias dessas máscaras presas nelas como também seres de aspecto humanoides aprisionados lá (os quais receberam o nome de "homens dos pilares"). Acontece que esses homens são na verdade vampiros que em eras atrás foram aprisionados nessas rochas por antigos guerreiros humanos que utilizavam o Hamon. Agora essas criaturas foram despertadas e sobrou pro nosso JoJo ter que dar cabo delas.

Dos guetos de Nova York à bases de guerra alemãs

Nessa nova etapa de JoJo, saímos da saudosa Inglaterra e vamos para a região litoral dos Estados Unidos, durante os tempos preparatórios para eventos da Segunda Guerra Mundial. Com uma ambientação mais modernizada, esse arco faz também uma viagem a outros países europeus e americanos, como México e Veneza. Além disso, a Alemanha também ganha credibilidade, sendo mostrada como uma potência militar sem falar que seu arquétipo como "vilã" da guerra é bem abafado pelos homens dos pilares, que transmitem muito mais uma visão nazista com suas buscas para escravizar os humanos e serem reconhecidos como "a raça superior".
Apesar da ambientação, os vilões da vez não são os nazistas, e sim os Vampiros/Homens dos Pilares.
O que realmente trouxe destaque a este arco em relação ao anterior (e até à alguns arcos posteriores) é que os "homens dos pilares" são absurdamente muito mais fortes que o Joseph, só que Joseph por sua vez era bem mais esperto e conseguia enfrenta-los de igual para igual apenas usando truques, blefes além de outras estratégias. Isso era uma forma de deixar as lutas mais interessantes, pois diferente de Phantom Blood (onde tínhamos forças sobre-humanas de herói e vilão no mesmo patamar, com poderes ocultos despertando no último segundo) aqui as batalhas eram feitas de modo mais inteligentes, com combates mentais cheios de surpresas a cada nova estratégia elaborada por Joseph e seus companheiros.
O conceito de estratégia: Capitão Nascimento ficaria orgulhoso.


Agora você dirá “Eu entendi as referências!”

Tal como a primeira, a segunda parte da série também traz fortes influências do rock e música pop dentro da obra, respeitando a tradição de homenagens de Jojo's Bizarre Adventure a ídolos e bandas dos anos 70/80. Logo de cara percebe-se que os novos vilões (Homens dos Pilares) tem seus nomes baseados nas bandas Santana, AC/DC, The Cars e Wham!, bem como a personagem Lisa Lisa, tem seu nome baseado na banda Lisa Lisa and Cult Jam, e provavelmente o fato de Lisa Lisa possuir 2 servos - Loggins e Messina - tenha relação com a banda de Lisa Velez ser composta por ela e mais 2 componentes. E já que falamos dos personagens Loggins e Messina, eles foram nomeados assim com base nos músicos Kenny Loggins e Jim Messina.
AC/DC, Wham e Kras recebem esses nomes em homenagem as respectivas bandas de rock.
A personagem Suzi Q é baseada na cantora Suzi Quatro e provavelmente também pode ser uma referência a música "Susie-Q" de Dale Hawkins. O vampiro Wired Beck tem seu nome baseado no cantor Jeff Beck e seu Álbum Wired, assim como o personagem Smokey Brown é uma mistura do nome dos músicos Smokey Robinson e James Brown, e o personagem Donavan tem seu nome baseado no musico de mesmo nome. A Pedra vermelha de Aja, ou Red stone of Aja (o principal objeto na qual a trama deste arco se desenvolve), tem seu nome baseado no Álbum/Musica "Aja" do grupo Steely Dan, bem como a ilha Air Supplena é uma referência a banda Air Supply.

Já para o final da saga, em seu último capítulo, Joseph toca Get Back dos Beatles em seu Walkman, e supõe-se que a última luta contra Kars bem como partes do epilogo são possivelmente uma referência a letra da música "Hello Again" do The Cars. Além disso, o segundo arco teve uma aproximação temporária muito maior com o estilo musical do rock’n roll, já que se passa nos Estados Unidos próximo ao começo da década de 40, onde o gênero começava a dar seus primeiros passos até se popularizar dos anos 50 em diante.

O melhor arco de todos?

Sendo curto e direto: Battle Tendency se saiu muito melhor que seu antecessor. Além de acarretar bem mais episódios que Phantom Blood, a segunda parte conseguiu ampliar ainda mais o universo e mitologia da obra, dando uma origem bem interessante a questões misteriosas criadas anteriormente, sem falar que conseguiu melhorar alguns aspectos que incomodaram os seu espectadores no primeiro arco. Joseph é um protagonista muito mais carismático que Jonathan: esperto, sagaz, descolado, malicioso e que ainda por cima consegue transmitir um "ar" de zoeiro até em momentos extremamente perigosos. Há quem o considere o melhor JoJo de todos (embora empate em preferência do público com Jotaro, o terceiro JoJo).
Battle Tendency também aprimorou o ar colorido e brilhante que a série já trabalhava.
No quesito história, este se saiu ainda mais promissor em comparação não só ao primeiro como também aos demais arcos da série, apostando em um enredo progressivo sem enrolações e mantendo um ritmo coerente com plots bem construídos e realizados no momento certo. O único ponto ruim é que sua história é bem curta em comparação aos arcos posteriores, dando a entender que poderia ter uma duração mais longa e te deixando com aquele chato gostinho de "quero mais", mas nada que comprometa a obra (como a sensação de algo corrido). Battle Tendency mantem o estilo "nonsense" da série, fazendo bom uso da temática temporária onde se passa e aprimorando a história na medida certa. Não é só um gradativo arco em comparação a Phantom Blood, mas também o melhor arco de toda série JoJo até hoje já feito.

Áquila Braga escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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