Crítica - "Titans" - 1ª Temporada

Primeiro ano da série alcança o equilíbrio que o DCEU não conseguiu encontrar nos cinemas

Imagens vazadas. Ofensas racistas disfarçadas como ameaça de boicote. Trailer péssimo. Tudo apontava para o fracasso da primeira temporada de Titans, série pioneira do serviço de streamming da DC, que mostraria, pela primeira vez, o supergrupo unido por Marv Wolfman e George Pérez em 1980. Felizmente, estávamos todos enganados.


Assim como no volume original da dupla da DC, o grupo acaba se unindo em torno de Rachel Roth/Ravena (Teagan Croft), mas, ao invés do encontro ser planejado pela jovem, o acaso faz com que a equipe se forme aos poucos.

Seguindo o ponto de vista separado de cada um, vemos Dick Grayson (Brenton Thwaites) vivendo fora de Gotham e tentando abandonar o manto de Robin, sem sucesso. Enquanto isso, Kori Andrews (Anna Diop) acorda sem memórias de sua origem, na Alemanha, e sem muita noção de como controlar seus poderes. Já Gar/Mutano (Ryan Potter) aproveita seu poder de se transformar em um tigre para invadir lojas de departamentos e pilhar alguns jogos, vivendo com sua "família" da Patrulha do Destino (que também ganhará uma série pelo DC Universe).

Homem-Robô e Homem-Negativo: Patrulha do Destino é a família de Mutano

Aliás, um dos grandes trunfos da série é não perder tempo estabelecendo o que já conhecemos: Batman, Mulher-Maravilha, a Liga da Justiça e até o Superman são citados com normalidade ao longo dos episódios, deixando claro que o papel de Titans não é criar um universo novo, apenas brincar com personagens que já conhecíamos.

Essa característica faz com que a união dos Titãs (que em momento algum são chamados de tal maneira) seja extremamente orgânica e muito menos forçada que a dos heróis do DCEU em Batman vs Superman e Liga da Justiça.

Seguindo alguns padrões marcantes das produções live-action da DC, Titans tem um tom escuro, mas isso não quer dizer que se leve a sério demais. O episódio da Patrulha do Destino é o melhor exemplo disso. Excepcionalmente colorido e bem-humorado, o capítulo brinca com os poderes quase ridículos de seus integrantes, além de fazer andar o tema geral da trama, a fuga do passado.

Columba e Rapina: dupla coadjuvante é norte para a temática da série

Principal âncora desse tema de fuga, a dupla Columba (Minka Kelly) e Rapina (Alan Hitchson) são centrais em apenas dois episódios, mas são essenciais para entendermos que, sim, mesmo os pequenos personagens têm um passado do qual querem fugir.

Dick precisa fugir de sua história em Gotham, Rachel da morte de sua mãe adotiva, Kori dos assassinos que provocou no exterior e Garth de uma vida solitária. Não demora para entender a razão de eles se conectarem com tanta facilidade, principalmente com a química extraordinária do quarteto principal.

Centrar a temporada na proteção de Rachel e na iminente chegada de seu pai, Trigon (Seamus Dever), foi uma escolha óbvia, tendo em vista que foi assim que o grupo começou nos quadrinhos. As diferenças básicas, como a entrada tardia de Donna Troy/Moça-Maravilha (Conor Leslie) ou o destino (não tão) incerto de Dick como gancho para o segundo ano, foram opções bem feitas, tirando o gosto de prato requentado para velhos leitores.

Participação especial no primeiro ano, Donna Troy deve ter papel maior na 2ª temporada

Entre tantas atuações boas, duas se destacam nesta temporada de estreia: para o bem, Anna Diop calou cada comentário racista que pregava que uma atriz afro-americana não poderia viver Estelar (uma princesa alienígena LARANJA), que acabou sendo a personagem com maior e melhor desenvolvimento ao longo dos 11 episódios. Por outro lado, Minka Kelly fez uma atuação completamente robótica como Columba, sempre parecendo ler suas falas num teleprompter. Além disso, a bizarra peruca platinada claramente não ajudou a levar a atriz a sério.

Com expectativas baixíssimas mesmo dias antes de sua estreia, Titans desbancou, com vantagem, as séries do Arrowverse deste ano, além de saber aproveitar muito bem personagens populares da DC. Não fosse o bastante, o episódio final ainda prometeu um clone de um certo kryptoniano, acompanhado de seu fiel cachorro branco. Agora, basta esperar.

Já com 4 membros, a equipe deve aumentar na segunda temporada
Titans estreou no DC Universe em 12 de outubro e chegará ao Brasil em 11 de janeiro de 2019 pela Netflix. Doom Patrol, série derivada estrelada pela Patrulha do Destino, estreará, também no DC Universe, em 15 de fevereiro de 2019.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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