Crítica: Uncle Frank - drama familiar com temática LGBTQI+

Uncle Frank entrou no catálogo do Prime Video em 25 de novembro, co-produzido e dirigido por Alan Ball o filme apresenta um drama familiar ... (por Kika Ernane em 22/12/2020, via GeekBlast)

Beth na estrada com Frank e Walid


Uncle Frank entrou no catálogo do Prime Video em 25 de novembro, co-produzido e dirigido por Alan Ball o filme apresenta um drama familiar de época. Beth acreditava que Tio Frank era um espírito livre, que não se incomodava com as expectativas sociais sobre sua vida. Entretanto, durante uma viagem de carro a jovem descobre que as coisas não eram, exatamente, o que pareciam. 

Sinopse

Em 1973, quando Frank Bledson e Beth, sua sobrinha de 18 anos, fazem uma viagem de carro de Manhattan a Creekville, na Carolina do Sul, para o funeral do patriarca da família, eles são inesperadamente acompanhados por Walid, o amor de Frank.

Sophia Lillis é Beth uma jovem descobrindo segredos de família

Frank (Paul Bettany) era maltratado pelo pai, comportamento que Beth nunca entendeu o porquê acontecia, já que o tio era a pessoa mais culta e brilhante que ela conhecia. No entanto, estava claro que exista algo entre os dois, que toda a família tentava mascarar com sorrisos e cordialidade forçada.

Já no começo do filme Beth (Sophia Lillis) explica o porque tem uma ligação tão forte com tio Frank. Afinal a garota sempre sentiu que era diferente e percebia que Frank era o único membro da família que não julgava seu comportamento considerado excêntrico para uma mocinha. Uma tarde conversando com o tio a garota ouvi a frase que mudaria sua vida "Você vai decidir quem você quer ser, ou você vai ser quem os outros dizem que você é? Porque você pode escolher. Você".

O patriarca da família Bledsoe e seu filho favorito, o pai de Beth


Um mundo em transformação

Quando o avô de Beth morre, ela e Frank retornam à casa da família para o funeral. Embarcando numa viagem rumo à Creekville. Durante o trajeto Beth tem a oportunidade de passar mais tempo com o tio Frank, no caminho aquele cara incrível que ela admirou a vida inteira mostra, finalmente, todos os seus medos.

Quanto mais tempo passam juntos, mais Beth conhece o tio e a si mesma. Visto que, desde aquela tarde que mudou sua vida muitas coisas aconteceram, assim a viagem permitiu que compartilhasse esse momento de descoberta com seu tio Frank. O cara inteligente e sensível que agora era alguém sofrendo como qualquer pessoa.

A narrativa do filme começa no final dos anos 1960 e vai até os primeiros da década de 1970. Um período de grandes transformações no planeta. Ainda enfrentava a Guerra do Vietnã e viu o Movimento Hippie surgir, movimento de oposição ao capitalismo e o “American way of life” (estilo de vida americano), tão defendido por Trump, que pregava o amor livre e alavancou o Movimento Feminista. Tudo tão parecido com o momento histórico que estamos vivenciando.#faleiesaicorrendo



Era de Aquário

A título de curiosidade a Era de Aquário tão celebrada pelos hippies começa em março de 2021, também conhecido como ano que vem. Logo, não é coincidência todo esse caos que a sociedade vem enfrentando. Isso acontece em virtude da colisão entre quem deseja manter as coisas como estão e quem luta pela mudança. Da até aquele quentinho no coração de pensar que estamos fazendo parte de um momento tão importante na história da humanidade. Aliás, segundo especialistas vamos entrar na era onde o ser vai substituir o ter. Portanto, estamos nos últimos meses de um ciclo de 200 anos, que começou com a Revolução Industrial.

Mas, voltando. Acredito que o filme apresenta muitas situações que ainda não fomos capazes de superar. Como aceitar as diferenças e que as pessoas podem fazer o que desejar com a própria vida. Contanto que isso não prejudique ninguém, obviamente.

Tio Frank era desprezado pelo pai porque não atendia aos critérios de normalidade dele e sociais da época. Da mesma forma Beth era vista como uma garota esquisita, pois, não sonhava em casar e ter dezenas de filhos, como era esperado de uma garota de boa família. Além disso, a jovem gostava de ler e tinha interesses diferentes das demais.

Enfim, Tio Frank é uma narrativa que causa desconforto às vezes, porém, traz uma discussão necessária. Que apresenta temas tabus como homossexualidade, suicídio, aceitação, perseguição, violência, entre outros. Com um final que fecha com a mensagem que o filme tentou transmitir no decorrer dos seus 94 minutos. Logo, não seja a pedra no caminho da evolução, já que as mudanças vão acontecer com ou sem a sua participação. #ficaadica

Frank sendo consolado pelo namorado Walid


Ficha técnica

Título: Tio Frank

Título original: Uncle Frank

País: EUA

Data de estreia: 25 de novembro de 2020

Gênero: Drama, Comédia, LGBTQI+

Duração: 94 minutos

Distribuidora: Prime Video

Direção: Alan Ball

Elenco: Sophia Lillis, Paul Bettany, Peter Macdissi, Margo Martindale, Judy Greer, Steve Zahn, Colton Ryan, Cole Doman, Stephen Root, Caity Brewer, Lois Smith e Carson Holmes


Kika Ernane, Karina no RG, e sou multitarefa (designer, ilustradora, redatora, escritora e na caça de mais uma habilidade). Uma mulher como muitas da minha época, que ainda não descobriram como aproveitar a liberdade que lutaram tanto para conseguir. Muito menos administrar todas as tecnologias disponíveis. Enfim, estou sempre aprendendo.


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