Cinema

Crítica: Bingo - O Rei das Manhãs, a história não contada na televisão

Filme inspirado em intérprete do Bozo chega aos cinemas dia 24 de agosto


Sexo, drogas, humor negro, bullying e muitas coisas que hoje seriam excomungadas devido a evolução que tivemos no decorrer dos anos, esse é o pano de fundo para Bingo - O Rei das Manhãs, novo filme nacional produzido por Caio Gullane e Fabiano Gullane da Gullane e Débora Ivanov em associação com Dan Klabin da Empyrean e é coproduzido/distribuído pela Warner Bros. Pictures.


Não é de hoje que o cinema nacional faz ótimos filmes, somente este ano de 2017 tivemos belas obras como O Rastro, Por Trás do Céu e Travessia, todos estes com uma temática mais séria. Tivemos até homenagens aos bons filmes de comédia como Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo à Hollywood, agora é a vez de um filme que retrata um dos ícones da TV brasileira.




O filme conta a historia real do palhaço Bozo, palhaço que fez sucesso na TV brasileira na década de 80. Como não foi possível utilizar o mesmo nome, já que Bozo tem direitos autorais americano, foi retratado como Bingo e interpretado por Vladimir Brichta. Inspirado na vida do ator e apresentador Arlindo Barreto, o filme traz em seu elenco Leandra Leal, Emanuelle Araújo, Ana Lúcia Torre, Tainá Muller, Augusto Madeira e com a participação de Domingos Montagner e Pedro Bial, narra as desventuras de Augusto Mendes (Vladimir), um artista que sonha em encontrar seu lugar sob os holofotes e que se depara com sua grande chance ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa infantil que é sucesso absoluto no Brasil. Porém, uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da maquiagem e Augusto, ou o novo Rei das Manhãs, se transforma no anônimo mais famoso do Brasil.

Debochado, o ex-astro de pornochanchadas e agora apresentador conquista a garotada e chega a liderança da audiência nas manhãs ao mesmo tempo em que mergulha em uma vida de excessos, que o afasta de seu filho, a única criança que o conhece de verdade. Uma história incrível – e surreal – ambientada numa roupagem pop e exagerada dos bastidores da televisão dos anos 80.

Bingo e Gretchen, um exemplo de como eram as manhãs do programa

O filme, mesmo sendo sobre um adulto vestido de palhaço, não é recomendado para crianças por sua temática e imagens fortes, enquanto Bingo diverte as crianças, Augusto se deixa levar pelo submundo das drogas e perversões sendo cada vez mais destrutivo e libertino.

Bingo/Augusto

Um retrato dos exageros de Augusto

Vladimir Brichta entrega um personagem impecável, ele consegue trazer uma dualidade à tona. Quando veste a máscara do palhaço, o personagem brilha, encanta e exibe diversos trejeitos que o levam a ser O Rei das Manhãs. Em contrapartida Augusto é um ator que vem de filmes de pornochanchadas, e só quer ser alguém que o filho se orgulhe de ter como pai. Infelizmente ele acaba descobrindo que ser uma sensação da TV e ser um pai exemplar não é uma tarefa fácil e tudo começa a desmoronar quando seus mundos colidem.

Conclusão


Bingo - O Rei das Manhãs é um filme excelente e mostra que o cinema nacional realmente tem potencial para ser uma grande produção, a qualidade do longa é excelente e quem viveu esta época vai sentir uma certa nostalgia dos programas matinais. Bingo é a pedida certa para um cinema no final de semana.

Co-autoria: Giovanna Simião

Ficha Técnica


Nome: Bingo - O Rei das Manhãs
Nome Original: Bingo - O Rei das Manhãs
Origem: Brasil
Ano de produção: 2016
Lançamento: 24 de agosto de 2017
Gênero: Comédia, Drama
Classificação: 16 anos
Direção: Daniel Rezende
Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Emanuelle Araújo, Ana Lúcia Torre, Tainá Muller, Augusto Madeira e com a participação de Domingos Montagner e Pedro Bial
Fabio Camilo é bacharel em Comunicação Social com especialização em Rádio, TV e Vídeo, roteirista, poeta, viciado/apaixonado por filmes, séries e quadrinhos, cansado de esperar pela carta de Hogwarts, agora treina para ser um sith ou uma chance de ser chamado para Hollywood.
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